17/10/2008
Crédito curto pode acelerar a fusão de construtoras.
Altamente dependente de crédito e da renda dos trabalhadores, o setor da construção civil pode sofrer uma transformação em consequência da crise financeira mundial. Um movimento de fusões e aquisições é um cenário provável, na opinião de especialistas, principalmente para as empresas que acreditaram que os bons ventos do mercado imobiliário, com crédito farto e salário em alta, continuariam soprando. “Das empresas que abriram capital na Bovespa, algumas apresentarão resultados extraordinários e outras serão incorporadas. Todo setor que entra no mercado de ações passa por crises. Devido à crise, o processo de fusões vai acelerar”, diz João Crestana, presidente do Secovi-SP. Na opinião do consultor João Segreti, as fontes de financiamento não devem secar. A cadernetade poupança, investimento garantido, tende a captar mais recursos, diante do medo de investimentos mais arriscados. Como os bancos privados são obrigados a destinar 65% da poupança para o crédito imobiliário, a fonte de recursos não seca, irrigada também pela Caixa Econômica Federal. Para o consultor da Galante, Marcos Valpassos, o fechamento das torneiras do financiamento já está afetando a saúde das empresas. E a correção do setor, as ações das construtoras caíram no mínimo 50% este ano, pode atrair compradores. Pode haver fusões para frente. Alguns empresas terão problemas de caixa, principalmente as que assumiram compromissos futuros. Com o crédito para as em presas já diminuindo e a massa salarial, que deve subir a metade deste ano (este ano chegou a subir 7%), o cenário não é dos mais animadores. Vice-presidente da RJZCyrela, Rogério Zylbersztajn, diz que é preciso "muita calma nessa hora e muito pé no chão", mas vê também oportunidades na crise: Não é a primeira crise por que passamos. E os investidores podem procurar ativos mais seguros se voltando para o setor imobiliário. Vendo um Brasil melhor que em outras crises, como a da Ásia, Zylbersztajn diz que "o momento é de ficar parado". Com perfil conservador, o executivo diz que não assumiu compromissos além de sua capacidade. Sobre o crédito mais curto, diz que a empresa está estudando as alternativas. Agora, o caixa é o mais Importante. Vamos esperar o que vai acontecer. Talvez adiar algum lançamento. Presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Rogério Chor, da CHL, também acredita num processo de fusões no mercado imobiliário.
Fonte: www.vidaimobilaria.com.br |